Marulho: o caminho do rio…

GERAISVEREDAS

“Ogunté, marabô, kayala e sobá…Oloxum, Inaê, Janaína e Iemanjá…”

Direcionar nosso olhar para o marulho das ondas…em direção ao mar.

MARULHO: [Cruz. De mar com barulho] S.m 1. Movimento das águas do mar, de caráter permanente e, algumas vezes, quase imperceptível. 2.Marejada. 3.P.ext. Revolvimento ou agitação das ondas do mar: “Vago e cristalino marulho das ondas” (Virgilio Várzea, O Brigue Flibusteiro, p.138). 4. Fig. Barulho, tumulto, confusão.[Sing. ger.: marulhada.] 

Partindo da idéia que a origem da palavra que dá título a essa pesquisa está intrínseca ao trabalho artístico (movimento de caráter permanente…tumulto, confusão…), nos faz crer que a idéia de seguir ate o mar nasce de uma necessidade de abordar diretamente o homem que lida com aquilo que é miticamente maior que ele, e que resgata aquele imaginário onde os homens possuíam a bravura heróica de confrontar os desafios grandiosos da existência.

O nosso caminho por esse rio da vida,  significa antes de tudo a continuidade das culturas e a preservação das estórias, estórias  que estão diretamente ligadas ao nosso saber e a nossa experiência humana.

Juntamos a isso o fato de nosso trabalho e cotidiano artístico dialogarem com o patrimônio material e  imaterial brasileiro e, conseqüentemente, com a preservação de suas origens, mantendo viva a memória de nosso povo.

25 Respostas para “Marulho: o caminho do rio…

  1. por onde anda essa gente meu deus…

  2. Adorei a proposta da pesquisa!!!
    Quero ver, quero escutar, quero sentir, quero salivar, quero cheirar…quero marulhar…
    Quatro ventos e muita sabedoria!!!

  3. Thommy

    muito bacana.
    assisti vesperais na janela e virei fã.
    até quando fica em cartaz o “marulho”?

  4. Thais

    Boa noite,

    Quro mais uma vez, dar os parabéns a todos os integrantes dessa nova jornada, não tenho nem palavras para dizer sobre ” O Marulho”, vai ficar na lembrança como “Os Vesperais nas Janelas” ficou em nossos corações, uma palavra INESQUECÍVEL.

    Beijos,
    Thais

  5. maria da conceicao rego leal

    .redimunho e tudo de bom. assisti vesperais nas janelas e marulho ocaminho do rio amei bjs a todos.

  6. Todo o trabalho é especialmente elaborado. Adorei a experiência!
    A memória é uma frágil raiz dos tempos. Espero que o grupo guarde estas raízes com amor!

    • Obrigado pelo interesse em postar seu comentario…e temos muito a agradecer pela experiencia vivida ao longo desses anos refletindo sobre tantas coisas…sim a gente preserva essas raizes sempre…
      obrigado de novo.
      bjim

  7. Leticia Sodré

    Eu ia dizer que fazia tempo que não me sentia assim, tocada. Mas não é questão de tempo. Ou é? Afinal, tudo é feito de tempo.
    Foi uma peça feita com tanto cuidado, com tanta delicadeza, com tanto carinho… Era amor em concentração maior que álcool no absinto. E entorpecia tanto quanto. Me fisgou com vara curta e a todos nós com rede. Os pescadores eram atores de uma beleza indizível, que nos olhavam nos olhos, nos roubavam o ar, nos davam a vida. Tiveram a preocupação de ficar com o ouvido no casco do barco, para jogar a rede só quando ouvissem os peixes passando por baixo.
    Essa peça é de uma tamanha VERDADE, que não parece algo criado, pensado anteriormente. Nesses tempos de produção em massa, estranhamos algo tão honesto, tão puro na sua intenção de nos fazer vivenciarmos a nós mesmos, entrando no outro. Lembrei da frase de Saramago no “Conto da ilha desconhecida” que cabe muito aqui: “se não sais de ti, não chegas a saber quem és”.
    Foram as pupilas dilatadas do início ao fim. A música como uma oração, fazendo com que nos reorganizássemos por dentro, seguindo o movimento do canto e da batida. A beleza nos gestos, nas luzes, nas sombras, nas cores, nos corpos, no cuidado.
    O primeiro personagem falou a respeito de ressentir. Re-sentir. Sentir de novo a areia nos meus pés. Sentir um canto que desconhecia e pude ter o prazer de descobrir. Uma cidadezinha no interior de Minas Gerais, feita de crendices, visagens, ingenuidade, honra, velas, rendas, fitas, botões, uma igrejinha, santos, um falar arrastado e VERDADEIRO. Não sei em que parte da peça ouvi isso e nem sei se chegou a ser dito, mas imaginei ser Minas Gerais. Uma cidade litorânea em Minas Gerais. Mas não me causou estranhamento que fosse litorânea, foi completamente verossímil. Nessa cidade havia também uma estação de trem. Receio que seu único destino fosse Macondo, a cidade imaginária de Gabriel García Márquez, em “Cem anos de solidão”.
    O personagem que mais me pescou foi um homem travestido de mulher, com voz doce e andar cambaleante. Trazia consigo a sabedoria que vem do sujo, do feio. Coincidentemente, ontem mesmo eu havia escrito no meu caderninho a seguinte nota: “ver beleza no feio”, para que me recordasse. Mais no final da peça esse mesmo personagem disse que somente os artistas seriam capazes de ver beleza naquela figura que escorria batom vermelho do canto da boca. A princípio pensei que fosse o vinho ou sangue – seu próprio – que portava engarrafado. Eu por dentro gritava: “Eu vejo beleza em você! Eu só consigo ver beleza em você.” Fiquei então entusiasmada com isso de ser artista. E pensando no compromisso que isso traz. Artista ainda não sei de que arte. Mas sei que arte é o alimento mais nutritivo que ingiro e o produto que eu tenho mais prazer em gerar.
    Havia também uma mulher de olhos claros, pele pintada de branco e vestida de carteiro, que nos traduzia e anunciava a VERDADE.
    Não era muito nítido para mim, mas agora foi escancarado: a verdadeira arte, a genuína, nos remexe por dentro com o intuito de nos fazer criar. Li há pouco em “O Banquete”, no discurso de Sócrates, que o amor está diretamente ligado ao movimento de criação.
    Agora eu fui transportada para tantos lugares queridos! Lugares de vento calmo e quente, de carinho e amizade. De misticismo e de magia. De comunhão. A sensação que veio foi de que juntos somos capazes de criar um movimento que transforme.
    Minha alma não foi só tocada, mas abraçada, afagada.
    Sinto profunda gratidão.

    Leticia Sodré
    leticiasodre@uol.com.br

    • casca!!! agradecido ficamos nós, por tamanho entendimento e encontro que esse momento nos proporcionou…brigado pelo post e tão belas palavras…apareça sempre!Suas palavras nos motivam muito…saiba disso, e não se trata de vaidade não…é muito mais que um estado envaidecido e feliz… é quase como um abraço bem apertado…bem querido…voce me daria um abraço?
      bj

  8. Leticia Sodré

    =) Sempre!

    Ainda vou assisti-los muitas vezes e sempre levando mais pessoas para serem tocadas assim como fui.

    Beijos!

  9. Nayranna

    È lindo o trabalho de vocês, apaixonante!
    Qual o tefeone de contato para fazer reserva no espetáculo e pedir informações? Essa é minah dificuldade.

    Obrigada!

    Nayranna
    nana_noemi@yahoo.com.br

  10. Douglas Rene - Cia Teatral Porto dos Moinhos.

    Em 14/08/11, Minha amiga Ellen Regina, me convidou para assistir um espetáculo de um amigo, Anísio. Relutei muito por conta do horário pois estacionei em Osasco num shopping, mas combinamos que eu sairia antes de acabar. Não consegui! O envolvimento com o espetáculo ocorreu de tal forma que mesmo sabendo que minha moto ficaria presa, decidi ficar até o final.
    Quero deixar meu agradecimento ao Redimunho, pelo espetáculo proporcionado, mas principalmente pela sua história, que se assemelha da minha e de meu grupo, que está em seu primeiro ano. Ver o quanto alcançaram em estrutura, conhecimento e desejo por uma expressão teatral mais profunda, nos impulcionou ainda mais a continuar. O que vi, ouvi e aprendi, repassei aos meus irmãos de artes e quero leva-los a conhecer este trabalho lindo!

    Obrigado Redimunho.

    Douglas Rene – Cia Teatral Porto dos Moinhos.

  11. Cris Telis

    Boa tarde!
    Queria parabenizá-los pela peça maravilhosa que tive o imenso prazer de assistir ontem a noite. Estou estudando para ser atriz e faço parte de uma cia de teatro, a Cia Clássica Vanguarda do Dir. Edson Araújo Lima, e aprendi muito com o espetáculo de vocês. Estou impressionada até agora.. rsrs..
    Mais uma vez parabéns!

    P.S.: Tirei algumas fotos com o elenco depois da apresentação, vocês devem lembrar, se quiserem eu envio pra vocês.

  12. Cris Telis

    Boa noite!
    Já mandei as fotos por e-mail, receberam?
    Até mais, beijos.

  13. André Cantuário

    Ola, o espetáculo ainda está em cartaz?

  14. Gleison Gomes

    Falar da peça o Marulho, torna-se uma tarefa difícil, pois a proposta do espetáculo é verdadeiramente fazer uma experiência existencial. No decorrer do texto é impossível nos tornarmos indiferentes aos latentes questionamentos oriundos da própria trajetória do Grupo Redemoinho. Tais questionamentos nos possibilitam a fazermos uma volta nos porões da vida e perceber que a vida, a história, o caminho é unicamente uma responsabilidade própria, solidificada no encontro com o outro. Tal percurso não ocorre num processo de obviedade, “Que horas sai o trem das 07h?” Encerrar a vida na perspectiva do óbvio, é negar o que de mais belo o ser humano tem: a capacidade de intencionar aquilo que lhe é apresentado. Dentro de cada um de nós existe um ser puro – promíscuo, santo – profano, forte – fraco, determinado – indeciso. Esses processos duais aos quais por muitas vezes tentamos repelir de nossa existência é o que verdadeiramente nos dá a identidade de ser humano. Marulho é, pois a possibilidade oferecida, através da arte, de nos colocarmos nus perante aquilo que realmente somos aceitando-nos na integralidade intencional do ser. Do submundo, do feio, do sujo, do embriagado, surge a sabedoria de quem cotidianamente busca integralizar as várias dimensões da vida. Esta peça traz consigo a beleza e o profissionalismo teatral, cenários que nos transportam para dentro da história, luzes, sombras, trilha sonora de perfeita harmonia, mas o Marulho transcende os limites do lúdico, do comercial, pois realmente é um texto desinteressado, puro e verdadeiro, fruto de experiências vividas e partilhadas no imaginário de Guimarães Rosa.
    Obrigado pela oportunidade de poder experimentar tamanha riqueza, que agrega inúmeros valores em minha história.
    Parabéns!

    • Obrigado voce Gleison por dividir com a gente tuas tão intensas impressões, as vezes ficamos na nossa solidão sem entender ou mesmo saber se tem eco esse nosso teatro… tão sofrido de fazer…agradecido mesmo…abç

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