Relato de Luis Aranha

Primeira ida do Grupo Redimunho de Investigação Teatral à Rua – FIGURAS

 

Minha tarefa nesta primeira ida a rua foi a de ir a frente do grupo com a função de apontar o trajeto a ser seguido.

Munido de um gravador, fui registrando o “passo a passo” de minhas impressões durante todo a trajeto. Isto, claro, sempre em linhas gerais  já que cada “figura” tinha seu relator individual.

Pontualmente fiz alguns comentários sobre uma e outra figura.

 

Como minhas impressões estão relatadas pormenorizadamente em áudio, não irei me ater a detalhes e sim as linhas gerais e questionamentos levantados a partir desta primeira ida à rua.

 

Vamos lá!

 

A saída

 

O grupo teve a sua saída do Casarão da Major Diogo por volta das 20:00hs. Todos ainda tímidos, em silêncio e muito próximos uns dos outros. Seus relatores com seus cadernos a tiracolo andando feito sombras atrás de sua figura, evidenciando ao público o caráter experimental desta ação. Essa postura dificultava a interação da figura com o meio e com as pessoas da rua já que conduzia claramente o olhar externo “….Ah, são atores que estão pesquisando…” dificultando a imersão da mesma.

Outro ponto a ser destacado foi a quantidade de figuras juntas. Essa postura também induzia uma leitura “teatral” das pessoas ao redor, diminuindo o estranhamento almejado na criação da proposta e, conseqüentemente, dificultando a “mistura” RUA/FIGURA.

 

Esse relato feito acima foi rapidamente percebido. Os relatores se afastaram e tentaram “sumir na população”. Assim feito continuaram a fazer seus relatos, percebendo em muitos casos, coisas que as figuras não perceberam devido a essa distância.

 

As figuras gradativamente foram se dispersando a medida que cada ator ganhava segurança e encontrava o seu ritmo de “descobertas”. Mais isolados, o trabalho de cada figura foi adquirindo seus contornos pessoais. O retorno ao Casarão da Major Diogo teve um intervalo de aproximadamente meia hora entre a chegada da primeira e da última figura.

 

Indagações musicais sobre a Figura e a criação do ator a partir da nossa ida a rua

 

Foi pedido por mim atenção as influências sonoras da rua como estímulo a permear essa Figura oca. Esse pedido não foi cumprido ou se foi não apareceu em nenhum dos relatos feitos pelos atores e por seus relatores. Aliás muitas das figuras sequer emitiam som (fala). Esse dado é apenas uma constatação e não  tem nenhum julgamento de valor.

 
    A partir desta constatacão levanto as seguintes questões:
A idéia de INFLUÊNCIA SONORA é muito abstrata? O que é INFLUÊNCIA SONORA? Som de carros? De TVs? De rádios? De gente conversando?
Como seria essa interação SOM e ator? Essa interação já seria considerada criação do ator, estrapolando dessa forma o papel da FIGURA?
Um som pode desencadear uma reação não sonora? E o inverso?
O ator pode propor uma influência sonora? Ela precisa ter um objetivo claro?
É possível separar o som dos outros elementos da Rua?

Essas são algumas questões para iniciar a reflexão sobre uma possível dramaturgia sonora com elementos colhidos do espaço público ou colocados em conflito nele.

Para os atores refletirem….

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