Rel’ator:sobre os caminhos possiveis…

Investigação teatral: Figuras nas ruas do entorno do casarão da escola Paulista de restauro

Figura: Anísio Clementino
Relator: Leandro Borges

Descrição: Capacete de bicicleta vermelho, camisa azul larga e aberta,
shorts areia com manchas, sapato marrom claro, um tapete de chão colorido,
pedaço de tubo ligando a cabeça à boca. Uma imagem. Uma alegoria.
Uma figura. Um invólucro a procura de uma gênese: personagem.

29/11/2011 – Investigação no casarão:

Um primeiro olhar para o mundo, um primeiro olhar para o espelho, um
primeiro olhar para si nesse universo de cada ambiente. Enfileiradas figuras,
onde o próprio espectro impacta o lugar, onde as imagens cruzam, e olhares
vão em busca de um desnudar do mundo. A figura em busca de estímulos
exteriores, a procura de gestos, movimentos, locomoção.
Após o giro pela casa, então o primeiro embate com a rua é feito. Os olhos da
 figura que vê o olho do lugar. Os olhos curiosos no outro lado da rua. A busca
do próprio corpo, coça a barriga, brinca com o gato que passa, acena com o
pano, assopra o cano, faz graça, coça as costas…
Uma busca por um ser, um caminho, um caminhar, e pelo movimento se encontrar
como um caminhante.

30/11/2011 – Investigação pelas ruas:

Reações múltiplas de repulsa e curiosidade, pela frente da igreja, do
supermercado econ, na frente da sapararia. Pessoas a procura de
entender o que essa figura é. Surpresas causadas, o embate da figura
e o cotidiano das pessoas na rua, um inesperado encontro. Por baixo
de viadutos, pessoas seguem o cortejo. Uma resignificação da figura
em movimento, encontra novos gestos, a troca com moradores de rua.
A quebra da distância social via figura teatral, onde hierarquias sociais
e máscaras socias se enfraquecem. Anda e caminha, e para, interage
 com as pessoas, nos olhares, no barulho do assoprar do cano.
Quando para o cortejo, já há até pessoas filmando, encarando como
espetáculo teatral, e segue a figura pelas ruas, um cortejar pelo pano,
passam carros, olhares curiosos, alguns riem, alguns ignoram,
curiosidade de vários transeuntes. A figura continua em ações fixas.
Olhares e comentários, considerado um artísta, um doido, um demônio.
Anoitece por completo, a relação fica mais estreita, o movimento aumenta
pela rua repleta de bares. A figura segue, brinca com as pessoas, faz
graça, rouba sorrisos e desprezos. Passa muitos carros, a figura então
balança o lenço ao mundo, recebendo-o, como se reverênciasse as
pessoas. Elas sorriem ou ignoram; imcompreendidos ou dados atenção
e admiração. Então a reta final para o retorno do casarão. Com um
passar mais devagar, a figura encontra os últimas pessoas para
interagir. Um maior número de pessoas abertas pela troca é encontrado.
Falam, refletem sobre a própria figura. Como se o soprar pudesse ventilar
as idéias. Então termino o relato com uma frase condensadora:

                        “Fazer a troca da (in)sanidade pela possibilidade.”

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