Do ator…a dor…ar…dor..ardo…r…do…ator.

A figura…
Ator Carlos Mendes
O surgimento da figura
Inicialmente, foi solicitado que se criasse uma figura, um não personagem, uma “casca” de um ser que sairia pelas ruas de São Paulo. Um “ser” exótico na cidade. Inicialmente pensei em um ser neutro que teria como ponto destoante o fato de estar preso a outro ser por uma corrente e um cadeado. Depois, foi solicitado que a esta figura inicial se inserisse outros elementos. Surgiu no final uma figura de um ser com uma máscara de lobo, terno preto, acorrentado, preso em uma cruz de madeira com velas.
O percurso
O cortejo das figuras iniciou no final da tarde, quando a noite estava por cair. Creio que devido ao pequeno espaço na máscara para enxergar tudo que encontrava pelo caminho, com o decorrer do cortejo as luzes da cidade se intensificaram na minha percepção. A impressão de que as luzes se dilatavam ao meu olhar restrito, causou-me uma sensação de admiração e êxtase em cada ponto luminoso encontrado. Os semáforos, os pisca-piscas comuns nesta época natalina, as luzes dos carros, dos postes e principalmente a lua foram pontos de descobertas em deslumbramentos.
A figura que não tinha em si nenhuma intenção de representar o bem ou mal, mas sim apenas existir, em vários momentos representou no encontro com crianças o despertar de um imaginário comum a de um bicho papão andarilho, assim como para os adultos a personificação do “capeta”. Peregrinar e ouvir ecoar a palavra capeta foi em muitos momentos um ato de relação estabelecida entre cidade e figura.
Assim como na visão, a respiração foi outro elemento que sofreu alteração devido à utilização da máscara. Com o caminhar, o cansaço natural, o pequeno espaço para a respiração acabou trazendo para a figura, naturalmente, um respirar ofegante. Assim, as escolhas casuais acabaram interferindo na composição do ser.
As impressões do ator sobre uma figura…
Pensar sobre uma figura, sobre a criação de uma figura é não pensar, ou melhor, é pensar bem pouco ou quase nada sobre ela. É pensar amiudadamente…
Como não se sabe propriamente o que a figura criada representa, é natural que o olhar desta figura sobre o mundo também seja um olhar sem referências. Cabe pensar para a figura a existência de um olhar puro, virgem, descobridor que se coloca em êxtase ao ver qualquer coisa, tudo ou até mesmo nada. Seria como trabalhar a partir da perspectiva do olhar de uma criança. Andar, movimentar, parar… tudo é novo, rico e pleno… assim como deveria ser tudo na vida de um ser.

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