Segundo relato:A ATRIZ CONVERSA CONSIGO…

 

FIGURA EM CONTATO COM A RUA Descrição: Azul na cabeça e no corpo, algumas cores por cima do azul, na mão direita uma foto da Carmem Miranda de cabeça para baixo e na esquerda uma caixa com uma antena, dentro da caixa um puxador de armário.

O que procurar na rua? É para procurar algo na rua?
É diferente a rua, é estranhamento, medo(das pessoas mesmo) e vontade, é atenção e percepção: onde pisar, onde me debruçar e ficar um pouco mais, onde não parar, onde parar mas com muito cuidado…

Debrucei-me com as árvores que tinham flores e frutos só lá no alto, nas pontas e com árvores de folhas secas e com troncos sem árvores – relação de olhar, fazer barulho…o que buscava ainda não sabia naquele momento e talvez nem saiba ainda…
Debrucei-me um pouco mais com as crianças da grade: lá fui xingada e também ajudada, descobri o nome da mulher da foto: Carmem – a menina do lado de fora da grade me disse – então eu procuro Carmem

Debrucei-me com o senhor que estava embaixo do Viaduto, alguém lhe entregou algo (que parecia uma folha) e ele não sabia porque tinham entregado aquilo…e eu, sabia? Mostrei-lhe a foto e ele não me deu mais bola…então segui
Parei um pouco com os moços de sotaque estrangeiro que estavam no bar…lá descobri: A Carmem foi para o alto…é um anjo

Algumas pessoas pelo caminho indicavam um outro caminho a seguir na busca pela pessoa da foto, outros diziam que estava mostrando minha foto, alguns arrumavam a posição correta da foto, outros nem me olhavam quando passavam, outros só balançavam a cabeça, os do alto dos prédios davam tchau…menos o senhor cabeludo que nem olhou…um cachorro latiu atrás de uma porta com vidro e quando eu me aproximei ele fugiu e ficou latindo de longe…

Desci a rua das estrelas…muitas por sinal, tentei conversar com duas meninas mas, elas não queriam conversa aquela noite

Encontrei o senhor que amarrava o papelão na carrocinha…ele me disse que eu não is encontrar a moça da foto porque eu andava muito devagar, ele mora dentro da pizzaria e trabalha todo dia o dia inteiro e estava cansado…ele tinha 3 carrocinhas cheias porque naquela rua tinha bastante papelão.

Esperando o farol para atravessar um moço em frente a uma porta me chama e eu vou…ele também tinha sotaque estrangeiro e me disse que a Carmem estava no Inferno…porque no Céu só tem gente boba, não pode-se fazer nada por lá, no inferno não, tem cerveja, tem dança, te até teatro ele disse…eu perguntei para onde ele ia e ele disse que ia para o Inferno também porque é muito mais divertido e a gente (ou eles) combinou de se encontrar lá daqui algum tempo…

Deixei o som da caixa de lado em alguns momentos, outras coisas passavam a ter mais importancia e depois ele voltava como se nunca tivesse ido, onde chamava mais atenção é para onde ia, mesmo abrindo mão de coisas…

– Uma figura, mulher, que procura alguém, talvez procura a si mesma (alguns encontros diziam que era ela mesma que estva na foto, que era um espelho), talvez esteja perdida e procure se reencontrar – talvez – para se perder novamente. *essa parte já é coisa da minha cabeça que escrevi no caderno*.

Denise Ayres

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