Papo de Teatro
Rudifran de Almeida Pompeu é ator, diretor e dramaturgo. Gaúcho, natural de Uruguaiana, extremo sul do Brasil.
Rudifran de Almeida Pompeu 

 

Como surgiu o seu amor pelo teatro?

Não sei bem se é mesmo esse lance de amor… é mais uma vontade e prazer de fazer, saca? Nem sempre se relaciona com uma palavra tão intensa como julgo ser o amor, que eu conheço do meu jeito e nem sempre é o mesmo que o seu. Teatro, para mim, é mesmo algo vital e intenso…,  mas daí a ser amor… Tenho amor por muitas coisas, pelo teatro tenho muita fé. Acredito por demais em sua capacidade de mudar tudo. Tudo começou quando tinha 13 anos e assisti a uma peça na minha escola. Vi pendurado na grade, porque não tinha mais lugar no ginásio. A peça era “O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá”. Ali percebi a potência que aquilo tudo tinha de mudar a gente. E lá se vão 30 anos… 

Lembra da primeira peça que assistiu?

Não tenho certeza mesmo se foi “O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá”, mas foi a que me marcou e me motivou a querer me aproximar do teatro.

 

Como foi?

Uma experiência… Verdadeira e eterna.

Qual foi a última montagem que você viu?

“Policarpo Quaresma”,  do Antunes Filho.

Um espetáculo que mudou o seu modo de ver o teatro.

Eu não sei bem responder essa pergunta… A gente muda o modo de ver todo dia, não?

Um espetáculo que mudou a sua vida.

Gostei muito de “Paraíso Zona Norte”, de 1992.

Você teve algum padrinho no teatro?

O que é um padrinho no teatro? Alguém que gosta da gente e por isso nos estimula? Se for isso, aprendi muito com um espetáculo em que atuei e que tinha um grande cara como diretor, Roberto Lage.

 Já saiu no meio de um espetáculo?

Normalmente, fico muito constrangido de sair, mas às vezes é preciso, né?

Teatro ou cinema?

Ambos. Porque são complementares, se a gente quiser.

Cite um espetáculo do qual você gostaria de ter participado.

Putz, não sei responder. Seriam muitos. Algumas peças viram lendas e a gente sempre tem um sutil desejo de ter vivido ao lado de uma lenda.
Já assistiu mais de uma vez um mesmo espetáculo?

Sim. Tem espetáculos que nos chamam muitas vezes.

Qual dramaturgo brasileiro e/ou estrangeiro você mais gosta?

Eu gosto de tantos…  Estrangeiros? Muitos, mas especialmente aqueles que fizeram um teatro de protesto. Dramaturgos que costuraram o mundo botando as “tripas” pra fora. A gente pode sentir em suas obras o tamanho de seu alcance, Ibsen, Brecht, Shaw, Ionesco, Strindberg… 

 

Qual companhia brasileira você mais admira?

Gosto mais de grupos. Existe umas diferenças nessas nomenclaturas, vocês sabem, né? Mas não tenho nenhum problema com companhias. Gosto do teatro que essa gente de São Paulo faz, sejam grupos ou companhias. Mas ainda gosto mais dos grupos. São mais apaixonados, mais românticos… Sei lá, algo assim..

Qual lugar da platéia você costuma sentar?

Gosto do meio. Por quê? Sei lá, superstição, acho.

Qual o pior lugar que você já sentou na platéia?

Atrás de uma coluna.

Fale sobre o melhor e o pior espaço teatral que você já foi ou já trabalhou?

O que é melhor? Com cadeiras confortáveis? E o que é pior? Com cadeiras de madeira? Se os artistas que ali convivem forem intensos, como eu sou pelo teatro, eu assisto até debaixo d’água. O melhor espaço de teatro é aquele que propõe a libertação do homem dessa mesmice da qual estamos vivendo. E o pior espaço é aquele que aprisiona e reproduz o padrão massificador que o mercado propõe.

Já assistiu a alguma peça documentada em vídeo? O que acha do formato?

Já vi coisas muito boas. Acho que é possível essa inteiração, apesar de não ter uma ideia formada sobre isso.

 

Existe peça ruim ou o encenador é que se equivocou?

E que diferença isso faz? Se é ruim ou se foi o encenador. A gente vive fazendo coisas boas e ruims não é? Tá bom… Existem as duas coisas!

Como seria, onde se passaria e com quem seria o espetáculo dos seus sonhos?

Seria numa fazenda antiga, duraria um dia inteiro e estariam três grandes escritores: Guimarães Rosa, Érico Veríssimo e Gabriel García Márquez, com meu grupo, a quem eu devo todo meu intenso dia a dia teatral.

Cite um cenário surpreendente.

Três ou quatro almofadas e um tapete.

Cite uma iluminação  surpreendente.

As velas e lâmpadas à guache de “A Casa”. Nem eu acreditei que funcionou.

Cite um ator que surpreendeu suas expectativas.

Marcus Martins.

O que não é teatro?

Terapia e coisas autorais demais que parecem blogs.

Que texto você foi ler depois de ter assistido a sua encenação?

“Grande Sertão: Veredas”

A ideia de que tudo é válido na arte cabe no teatro?

Não.

Na era da tecnologia, qual é o futuro do teatro?

O teatro está num “coma” lento, mas tem gente lutando, tem grupos resistindo. Não sou contra a tecnologia, mas teatro tem que ser ao vivo. Convençam-me que não.

O teatro é uma ação política?

Também. Porque ele é capaz de transmitir e comunicar um pensamento e tem a possibilidade de fazer ao vivo a comunicação com o homem. O teatro é tão potente que é capaz sim de mudar o mundo. Isso me torna romântico?

Quando a estética se destaca mais do que o texto e os atores?

Quando o encenador perde a mão, né?

Qual encenação lhe vem à memória agora?
Putz… Veio “Vesperais nas Janelas” (puta mala eu, né?*)

Alguma cena específica?

O Arauto fechando a porta, na última cena.

Em sua biblioteca não podem faltar quais peças de teatro?

As peças do Nelson Rodrigues, as do Plínio Marcos e outras tantas que admiro com igual fervor.

Cite um diretor (a), um autor (a) e um ator/atriz que você admira.

Admiro tantos que é chato citar um ou dois. Pulo essa!

Qual o papel da sua vida?

Pois é, qual?

Uma pergunta para William Shakespeare, Nelson Rodrigues, Bertold Brecht ou algum outro autor ou personalidade teatral que você admire.

Porque se preocupar tanto? Que “sirviço” é esse o do ator?

O teatro está vivo?

Ainda, mas tem precisado de musculatura.

* “Vesperais nas Janelas” é um espetáculo com texto e direção de Rudifran Pompeu.

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