Kantor

TEATRO INDEPENDENTE (1942) O Teatro Independente foi organizado por Kantor em 1942, com um grupo de pintores jovens. Um teatro clandestino e experimental, durante a ocupação nazista e onde ele dirigiu Balladyna de Juliusz Slowacki (1942) e O Retorno de Ulisses de Stanislow Wyspianski (1944). “O Retorno de Ulisses do Sítio de Estalingrado. O abstracionismo, que existiu na Polônia até o inicio da II Guerra Mundial, desapareceu no período do genocídio em massa. […] A arte perdeu seu poder. A re-produção estética perdeu seu poder. O ódio de um ser humano apoiado por outras bestas humanas amaldiçoou a a r t e. Só tínhamos força para agarrar o que estava mais próximo, O Objeto Real e chamá-lo de obra de arte! No entanto, era um objeto p o b r e, incapaz de realizar qualquer função na vida real, um objeto a ser descartado. Um objeto que foi desprovido de uma função vital que o salvaria. Um objeto despojado, sem função, a r t í s t i c o! […] Uma cadeira de cozinha … Um objeto, que foi esvaziado de qualquer função vital, veio à tona pela primeira vez na história. Este objeto era vazio. Tinha que justificar sua existência a si mesmo e não às coisas que o cercavam e lhe eram estranhas. [E o fazendo, o objeto] revelava sua própria existência. E quando sua função era imposta a ele, essa ação era vista como se isso tivesse acontecido pela primeira vez desde o momento da criação”. Em O Retorno de Ulisses, Penélope, sentada em uma cadeira de cozinha, representou o ato de estar “sentada” como um ato humano acontecendo pela primeira vez. O objeto [físico] adquiriu sua função histórica, filosófica e artística. A peça O Retorno de Ulisses foi encenada não em um teatro, mas sim em uma sala que estava destruída. “Havia guerra e havia milhares de salas assim. Todas se pareciam: tijolos sem reboco por trás de uma camada de tinta, gesso caindo do teto, piso faltando tacos, pacotes abandonados cobertos de poeira, entulho espalhado por todos os lados, pranchas remanescentes de um convés de navio foram dispensadas ao horizonte dessa decoração, um tambor de revólver apoiado num monte de pedaços de ferro, um megafone militar pendurado por um cabo de aço enferrujado. A figura inclinada de um soldado com capacete usando um sobretudo surrado [de um soldado alemão] em pé contra a parede. Nesse dia, seis de junho de 1944, ele se tornou parte dessa sala”. (Michal Kobialka) Credo (Manifesto Teatro Independente)) “Uma obra de teatro não se olha como se olha um quadro pelas emoções estéticas que procura: é vivenciada em concreto. Não tenho nenhum tubo estético Não me sinto sujeito aos tempos passados, Não os conheço e não me interessam. Só me sinto comprometido com esta época em que vivo e com as pessoas que vivem ao meu lado. Creio que um todo pode conter ao mesmo tempo barbaridade e sutileza, tragédia e comédia, que um todo nasce de contrastes e quanto mais importantes são esses contrastes, mais esse todo é palpável, concreto e vivo”. Cristina Tolentino ( cristolenttino@yahoo.com.br )

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