Kantor

 

El loco e la monja (1963)
 
TEATRO ZERO (1963)

A realização do impossível é a suprema fascinação da arte e seu mais profundo segredo. Mais que um processo, é um ato da imaginação, uma decisão violenta, espontânea, quase desesperada frente à possibilidade súbita, absurda, que escapa aos nossos sentidos. Tadeusz Kantor diz que “reduzir a Zero” a prática cotidiana significa negação e destruição. Em arte, pode levar a resultado inverso. Reduzir a zero, nivelar, aniquilar fenômenos, sucessos, acidentes, é tirar o peso das práticas cotidianas, permitindo que se transformem em matéria cênica, livre de tomar forma.

“…cheguei à conclusão de que a obra de arte não pode hoje, estar hermeticamente encenada em uma convenção estável de conduta. Essa “exuberância” e essa “comodidade”, tão sedutoras em aparência me parecem suspeitosas, como se mascarassem o completo desaparecimento do poder de ação. O que tenho procurado criar é uma realidade, um conjunto de circunstâncias que não mantêm com o drama
nenhuma relação
nem lógica
nem analógica
nem paralela ou inversa.
Procuro criar um campo de tensões.
Este se cumpre em um clima de escândalo. Porém em arte chocar é o contrário. É um meio real de atacar o pequeno pragmatismo generalizado do homem de hoje, um meio de despejar o caminho de sua imaginação sufocada, de fazer-lhe captar conteúdos novos que não têm lugar dentro do pragmatismo e do espírito calculador.
O teatro que chamo Zero não representa uma situação zero já determinada. Sua essência é o processo orientado até o vazio e às zonas zero.
Desmontado de toda organização que se forme.
Decomposição geral de toda forma.
Repetição automática.
Desinformação. Deformação da informação. Decomposição da ação. Brandura (doçura) na representação. A representação representando a não representação. A representação imperceptível.
Os estados psíquicos estão isolados, são gratuitos, autônomos e como tais, podem ser fatores artísticos. “Apatia, melancolia, amnésia, associações desorganizadas, depressão profunda, falta de reação, desalento, vida vegetativa, excitação, esclerose, impotência completa, esquizofrenia, delírios maníacos, sadismos, etc.”
O espetáculo desta fase foi “El loco e a monja” (1963)
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