Kantor

TEATRO CRICOT 2 e o TEATRO INFORMAL (1961) O Teatro Cricot 2 propõe a idéia de um teatro que se realize como OBRA DE ARTE. Não unicamente um teatro em busca de valores plásticos, mas de atores desejosos de encontrar, no contexto com pintores e poetas de vanguardas, uma renovação total do método cênico. O Teatro Cricot 2 mostrou as possibilidades da liberdade na arte. As possibilidades de sua grande aventura, de seu gosto pelo absurdo e sua abertura para o impossível. O Teatro Cricot 2- trocou as relações entre o palco e o público. Um público instalado ao redor de mesas de café; o jazz e a dança constituíam uma realidade autêntica, viva, oposta a um auditório passivo, neutro, estacionado em fileiras de cadeiras dos teatros oficiais. Essa realidade foi prolongada para a rua. Associada com os acontecimentos da rua esta realidade queria reagir e retrucar rapidamente, onde uma opinião pública instantânea se impunha. “Há que se usar meios de expressão muito fortes, provocativos, contestáveis. As metamorfoses do ator, esse ato essencial do teatro, longe de camuflar-se, se exibem abertamente, se expõe.” (Kantor) Maquiagem exagerada, formas de expressão tomadas do circo, inversões e perversões de uma situação escândalo, surpresa, choque, pronúncia artificial e afetada, associações contrárias ao sentido comum. Situações cênicas insólitas, contrárias à lógica da vida de cada dia e regidas por uma lógica autônoma. Estados emocionais normais se transformam em angustiosas hipertrofias que alcançam um grau de crueldade, de sadismo, de espasmo, de voluptuosidade, de delírio febril, de agonia. Por sua insólita temperatura, estes estados biológicos perdem toda relação com a vida prática e transformam-se em material de arte. El Armário El Pulpo, Na Pequena Granja e El Armário são peças encenadas nesta fase. No programa do espetáculo de El Armário, havia o seguinte manifesto: “O teatro não é um aparato de reprodução literária. O teatro possui sua própria realidade autônoma. O texto dramático não é mais que um elemento El Armário encontrado, prévio, fechado. É um corpo estranho na realidade que se recria: a representação. …objeto, movimento, som – sem intenção de ilustração recíproca, de interpretação, de explicação. A integração destes elementos se faz espontaneamente, segundo o princípio do “acaso” e não é explicável racionalmente. O circo é assim. Nele encontrará o teatro, sua força vital, seu princípio e sua purificação. O Circo atua de maneira desinteressada, arranca todas as camuflagens, as dignidades e o prestígio.” Cristina Tolentino ( cristolenttino@yahoo.com.br )

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