De-janeiro

“Ainda o senhor estude:agorinha mesmo,nestes dias de época,tem gente porfalando que o Diabo próprio parou de passagem,no Andrequicé”(Grande Sertão:Veredas)

Nos diversos pontos o capim insiste em beijar os joelhos.Com altos passos vou avançando mais.A estradela é serpentiosa no sertão.À destra só o fechado verde-escuro.Se paro a marcha ouço a música:orquestra de Deus…juriti do papo amarelo…o ronque-chonque imparável de águas que não vejo.Na canhota,o touro apraz me observa.O mormaço as vezes até incomoda.Por trás taurino,serras se fogem dos olhos.Vez e outra o fétido perfume de mangas já caídas.Pista que começa a se abarrancar ao baixio.Nova chusma de vapor no rosto.Bem mais baixo,toco o moribundo corguinho.Ele vem de não sei bem longe…fica todo alegre só de saber seu fim.Todo fim não é uma forma de (re)começo?Fui traído pela pinguela de improviso.É as águas no querer me tragar.Me agarro à raízes:pé molhado é lama certa;a subida é cuidadosa;deve.Estou me apequenando…gigantes são sempre maiores que nós.Estou mudo.Contemplo:a luta da barrenta é inútil.”Vou berando…”,o Chico é isso:maior grande.Na revoada o pena-branca é pescador.Devia de se existir peixes que voam…esqueço de tudo.

Primavera do Ser-tão

Cordisburgo,23 de novembro de 2009

(por Marcus Martins)

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1 comentário

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Uma resposta para “De-janeiro

  1. Rondinelli

    Sim,sim…ficamos assim…bem menores de nós…rio…margem de tudo…sim deviam de existir peixes que avoam…

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